sexta-feira, 5 de abril de 2019

Hoje leitor, amanhã leitor

«Hoje leitor, amanhã leitor» é o mote que serve, este ano, de inspiração às dinâmicas da Semana da Leitura promovidas no âmbito do Plano Nacional de Leitura, no nosso país. Porquê festejar a leitura e assinalar a sua importância no espaço público, em especial nas escolas e nas famílias?

A promoção da leitura continua a ser, em tempos de constante mudança como os que vivemos, um tema da atualidade que exige reflexão e novas formas de abordagem. Se é um dado adquirido que melhores níveis de leitura têm uma correspondência direta com o sucesso pessoal e profissional das pessoas, ainda não é completamente clara, para os peritos nesta questão, a forma como devemos continuar a criar e a fidelizar leitores. Abordagens tradicionais devem, portanto, coexistir com outras mais arrojadas, pois o contexto atual é diferente do de alguns anos, quando o acesso ao texto escrito se fazia quase exclusivamente através do suporte impresso e a maior parte das vezes mediado por escritores, editores ou jornalistas.
Promover a leitura continua a ser um tema e um desafio da atualidade porque fazer leitores hoje significa criar cidadãos que compreendem o mundo em que vivem, aprendem a aceitar, mas também a argumentar e a fundamentar as suas opiniões, desenvolvendo, através da leitura, uma atitude crítica. No espaço e no tempo atuais, em que utilizamos os diferentes media e os aproveitamos para nos expressarmos, torna-se premente que a opinião que cada um constrói sobre o mundo seja uma opinião fundamentada, esclarecida, respeitadora da opinião dos outros e que decline todo o tipo de ódios e de preconceitos.
Como fazer? Como educar crianças e jovens que se tornem leitores e se mantenham adultos leitores? Nestes tempos de aceleração, do império da imagem sobre a palavra, do acesso à palavra através da Internet e, por conseguinte, de uma miríade de artefactos tecnológicos, é necessário que exista um equilíbrio no tipo de abordagens que se fazem à promoção da leitura.
A literatura continua a ser um veículo privilegiado, seja através do suporte impresso ou do digital, para proporcionar o encontro da criança e do jovem com o Outro, para desenvolver nele a imaginação e a criatividade, para o conduzir a conhecer a sua História e a História dos outros, para lhe ensinar o valor da palavra e a sua beleza. Mas os jornais, as revistas e os livros científicos, em todos os suportes, deviam também fazer parte das nossas práticas de leitura diárias, porque pode ser através destes meios que a criança e o jovem descubram o prazer de ler e de querer saber mais, aprendam a cruzar opiniões, recorram a nova informação para poderem decidir, desenvolvam uma atitude crítica.
A promoção da leitura não pode, portanto, ser um assunto apenas de alguns. De alguns professores, de alguns pais, de alguns bibliotecários, de alguns meios de comunicação social. Deveria ser um assunto de todos. Se aos (professores) bibliotecários e aos professores cabe o papel de mediadores mais informados, porque detêm técnicas e saberes específicos sobre a arte de ensinar a ler e de motivar para a leitura, aos pais e à sociedade em geral cabe o papel de mediadores que valorizam a leitura, que dão o exemplo, que participam na formação dos futuros cidadãos.
Na Semana da Leitura, em todo o país, festejamos a leitura, dinamizando atividades muito diversas que envolvem parcerias diferentes. Fazer leitores hoje, que permaneçam leitores amanhã, requer, contudo, que defendamos, durante todas as semanas do ano, a causa da leitura, que desenvolvamos programas sólidos, que tornemos sistemáticas as nossas práticas, que valorizemos a leitura e a escrita como armas contra o obscurantismo e a favor do conhecimento e da sabedoria.

Raquel Ramos
Coordenadora Interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares

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